quinta-feira, 30 de junho de 2022

A quem serve o discurso em defesa da redução da maioridade penal?

Descrição para cegos: colagem com fotos de Verônica Oliveira (à esquerda) e Ana Potyara (à direita), ambas olhando para a câmera

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

“A fala do profissional foi totalmente equivocada e fora da realidade social, demonstrando falta de conhecimento do Estatuto da Criança e Adolescente, que deveria ser motivo de orgulho para todos nós que moramos no Brasil”. A observação é da conselheira tutelar Verônica Oliveira, que atua no Conselho da região de Mangabeira, em João Pessoa.

Verônica refere-se o comentário feito pelo apresentador do Jornal da Band Eduardo Oinegue, no último dia 13 de junho. Ao comentar uma imagem que mostra uma criança de 11 anos e mais dois adolescentes furtando bicicletas em um estacionamento, Eduardo afirma, de maneira enfática: “Esse garoto de 11 anos tem 15 passagens pela polícia. Se a gente acha que isso é normal, beleza. Se a gente acha que o Estatuto da Criança e Adolescente está ajudando a criar uma geração com valores sólidos, vamos em frente, mas que a gente ache alguma coisa. Mas, para que a gente ache alguma coisa, só debatendo, analisando as alternativas sobre a mesa, a revisão da maioridade penal é uma delas. A Câmara dos Deputados já votou, o Senado tá enrolando. Enquanto isso, esse menino vai voltar para as ruas”. Confira o comentário aqui:

sexta-feira, 27 de maio de 2022

OBSERVATÓRIO DEBATE

Oficialismo não impede jornalismo, garantem dirigentes

Descrição para cegos: tela de abertura do programa no YouTube, apresentando, no centro, uma série de elementos que, juntos, remetem ao jornalismo (notebook, folha de papel escrita, lente, livros, lápis, etc.). Acima aparece o tema do programa (Jornalismo Público na Paraíba) e à direita, sob a marca do Observatório, as fotos de Naná Garcez, Marcos Wéric, Mafalda Moura e Rubens Nóbrega, dispostas em duas linhas.


Burocracia nas licitações para compra de novos equipamentos, por exemplo, e demora nas decisões emperram avanços, mas não a prática jornalística no Jornalismo Público da Paraíba, tema do programa Observatório Debate realizado quarta-feira (25) com participação de dirigentes de veículos oficiais de comunicação no Estado.

Iniciativa do Observatório Paraibano de Jornalismo (OPJor), o Observatório Debate foi transmitido ao vivo pelo YouTube do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPJ) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Participaram as jornalistas Mafalda Moura (TV Câmara de João Pessoa) e Naná Garcez (Empresa Paraibana de Comunicação – EPC) e o jornalista Marcos Weric (TV Assembleia).

terça-feira, 17 de maio de 2022

A estética do policialesco chegou nas plataformas digitais

Descrição para cegos: ilustração reúne vários tipos de cursores apontando para o centro da figura. 

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

“Uma câmera na mão, e uma ideia na cabeça.” Esta frase, dita pelo cineasta Glauber Rocha em meados dos anos 60, agora, ganha uma nova versão na era das plataformas digitais: um celular na mão e uma ideia na cabeça.
Porém, em alguns casos, a ideia nem sempre é muito boa e o vale tudo para ganhar seguidores e likes é a máxima adotada – e incentivada - pelas redes sociais.
Um produto que se multiplicou em todas as regiões do Brasil e faz parte da programação de quase todas as principais emissoras de TV do país, incluindo a Paraíba, ganhou novas versões nas plataformas. Na Paraíba, é a TV Oitizeiro, um “canal” onde são divulgados vídeos e fotos dos principais acontecimentos policiais que acontecem, principalmente em João Pessoa. Apesar do nome da rede referir-se a um bairro da capital, Oitizeiro, a proposta da plataforma é informar (?) aos seus seguidores sobre o que acontece em toda a Paraíba, com foco no noticiário policial.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

O racismo na (e da) imprensa 

Descrição para cegos: tela de abertura do programa no YouTube, apresentando as fotos de Edilane, Valdice, Mabel e Zulmira. Acima, na esquerda, aparece a marca do Observatório e mais abaixo, em destaque, o título “O Racismo na Imprensa”.

Por Zulmira Nóbrega (observadora credenciada)


O programa do Observatório Paraibano do Jornalismo (OPJOR), Observatório Debate, exibido na última quarta-feira, (11/5/2022), no canal do YouTube do PPJ - UFPB, teve como tema “O racismo na imprensa”.

No debate se destacaram as observações sobre o fato rotineiro de que estamos nos deparando, nacionalmente, com notícias acerca de crimes raciais.  A notícia que repercutiu naquele dia, por exemplo, foi um vídeo no qual uma mulher chama um jovem negro, vendedor, de 'macaco' em discussão por conta de açaí, em Taguatinga, no Distrito Federal. Assim, houve o entendimento entre os debatedores sobre a violência racista que não para, além de manter uma escalada sem fim, conforme os contínuos noticiários de práticas de tal tipo de crime.

Mas quando os crimes de racismo partem da imprensa? do jornalista? Aqui na Paraíba, há três semanas, durante a transmissão radiofônica da partida de futebol entre as equipes do Campinense e do Souza, o locutor comentou que o jogador Douglas Lima, do Campinense, “não poderia cabecear a bola porque seu cabelo não permitia”, fala que foi naturalizada pelos colegas de bancada, entre risos. Percebemos que casos como estes, de injúrias raciais têm sido noticiados, com o agravante não haver desdobramentos do caso, as devidas apurações do crime e em consequência a impunidade dos jornalistas.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Aborto: um tema interditado na mídia paraibana

Descrição para cegos: captura de imagem do telejornal JPB1 mostra peritos examinando algo no chão em uma calçada onde parece haver mato e entulho. A cena está um pouco encoberta por duas viaturas e um policial que passa entre elas. Embaixo, vê-se a cartela do programa, na qual está escrito “Mãe abandona recém-nascido”, na parte superior, e “Após parto, adolescente teria deixado o bebê dentro de uma sacola”.

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

A palavra aborto parece ser proibida de ser pronunciada na mídia da Paraíba. Tratei sobre esse tema em outro artigo, publicado neste blog. E, novamente, o assunto vem à tona, quando a TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo no estado, noticiou no último sábado, o caso de uma adolescente, que segundo o lettering disposto na tela da TV, anunciava: “Mãe abandona recém-nascido.”

O que de fato aconteceu foi bem explicado pela delegada que está à frente das investigações. A adolescente, que tem apenas 13 anos e foi vítima de estupro, informou que o bebê havia nascido morto, não foi abandonado e depois veio a óbito.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

OBSERVATÓRIO DEBATE

Jornalismo Político: muita informação

e pouca ou nenhuma opinião

Descrição para cegos: tela de abertura do programa no YouTube, apresentando as fotos de Rejane, Suetoni, Rubens e Zulmira sobre um desenho que reproduz peças de quebra cabeça coloridas. Acima, na esquerda, aparece a marca do Observatório e mais abaixo, em destaque, o título “O jornalismo político na cobertura da janela partidária”.


Rejane Negreiros e Suetoni Souto Maior concordam que o jornalismo político paraibano, no qual se destacam como colunistas, ressente-se da produção e divulgação de material mais opinativo que analise e questione, por exemplo, a prática e a cultura políticas dominantes no Estado.

Eles concordaram com a crítica ao meio em que atuam durante o programa Observatório Debate sobre Jornalismo Político e Cobertura da Janela Partidária, transmitido na noite de quarta-feira (6) pelo Observatório Paraibano de Jornalismo (OPJor) no YouTube. Mediado pela jornalista Zulmira Nóbrega, do programa também participou Rubens Nóbrega, membro do OPJor.

terça-feira, 5 de abril de 2022

A infância padece e, sem rede, o jornalismo mergulha de cabeça

Descrição para cegos: imagem mostra a marca do programa Tambaú da Gente Manhã semicoberta por uma grade que está levantada na parte inferior direita. A marca do programa compreende dois retângulos de formas arredondadas sobrepostos, mas não simétricos. No primeiro está escrito “Tambaú da Gente” e, no segundo, “Manhã”. Desse conjunto sai um sol estilizado, como surgindo atrás de nuvens.
Por Carmélio Reynaldo (observador credenciado)

São tantas ocorrências de violência contra crianças que este blog já pode ser confundido com um fórum de defesa da infância – o que não deixa de ser verdade. E vamos para mais um caso, que foi a reportagem da TV Tambaú na manhã da segunda-feira, de uma criança de dois anos que caiu de janela do quarto andar de um prédio em Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa.

Três perguntas que editorias devem fazer quando se trata de caso envolvendo crianças e adolescentes: qual a relevância de divulgar essa história? Se não for veiculada, nosso público estará menos informado? Em que contribui sua publicização?

Como as perguntas não foram feitas, o desastre aconteceu e a telejornal ultrapassou os limites da prudência a ponto questionar o zelo da mãe por não usar tela ou grade de proteção nas janelas do apartamento.

domingo, 3 de abril de 2022

A tragédia como notícia e

desfiguração da realidade

Descrição para cegos: foto de uma boneca abandonada sobre folhas e galhos secos. 

Por Joana Belarmino (observadora associada)

Enquanto faço leituras de preparação das minhas aulas da semana, repercute em mim a tragédia que tomou conta do noticiário televisivo paraibano: o suposto assassinato de uma criança de um ano e três meses, provavelmente pela mãe, através de mais um cruel episódio de violência doméstica.

Tento refletir sobre o caso, e mais particularmente sobre a sua cobertura, no âmago mesmo da profissão jornalística. A formação dos profissionais de jornalismo esteve e ainda vive atravessada por dicotomias importantes: teoria versus prática; formação universitária versus dom e vocação; jornalismo informativo versus jornalismo sensacionalista; notícia informativa versus sensacionalismo são algumas dessas dicotomias presentes na história da profissão.

Na atualidade, é certo que há um predomínio do jornalismo informativo e de serviços, e, ao lado deste, um gosto pelo sensacionalismo em muitos veículos de mídia. Mas o que isso tem a ver com o acontecimento trágico da semana? O jornalismo errou na sua cobertura?