sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Jornalismo e infância: uma pauta esquecida na mídia paraibana 

Descrição para cegos: página do suplemento Correio Criança ilustrada com fotos de várias meninas, algumas mulheres e do planeta Terra. Tem como título “Repórter Teen – A Hora do Planeta”. 

Por Joana Belarmino (observadora credenciada)

Escrevo esse post ainda impactada pelas primeiras imagens divulgadas sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. Na Globo News, as imagens e cenas são repetidas até à exaustão. Uma das preferidas dos âncoras da TV traz uma criança pequena chorando alto, numa suposta invasão a um hospital ucraniano. Lembro-me imediatamente do instigante livro da jornalista americana Susan Sountag, Diante da Dor do Outro.

Sim. Nas coberturas desses acontecimentos de guerra, o sensacionalismo toma conta da imprensa ocidental. A audiência é bombardeada com imagens de horror e sofrimento, e nem as crianças são poupadas. O banquete é tenebroso e pede reflexão. Mas, não falarei sobre o tema hoje. Quero dialogar aqui, sobre o último programa do OPJor, que trouxe a pauta da infância no jornalismo para o debate.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A mídia paraibana e as pessoas “matáveis”

Descrição para cegos: foto de jovem negro com a mão espalmada encobrindo o rosto. O gesto pode ser interpretado como sinal de pare.

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

Mais um jovem periférico foi assassinado em João Pessoa. A mídia paraibana cumpriria um papel essencial no esclarecimento destes crimes, no entanto, prefere repercutir apenas a fala oficial: que os assassinatos aconteceram por causa do tráfico ou porque o jovem era usuário de drogas, sem fazer nenhuma reflexão sobre esses acontecimentos.

Não sei vocês, mas me entristece muito saber que, quase todos os dias, um jovem é morto na Paraíba. Jovens pretos e pobres, é bom que se diga.

Na sexta passada, 18, mais uma violência contra a juventude foi noticiada por programas de TV em João Pessoa. O rapaz tinha apenas 17 anos e foi espancado até morrer. Imediatamente, me remete ao congolês Moise Mugenyi, que também foi espancado até a morte no Rio de Janeiro, e tinha apenas 24 anos.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Policialesco reforça preconceito

contra ocupações populares

Descrição para cegos: foto de uma parede onde se lê a pichação: “Você tem onde morar? Eu não”. Ao lado da pichação, veem-se bolsas penduradas em um prego. (foto de Fernanda Morena).

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

No último sábado, 12 de fevereiro, o programa policialesco Cidade em Ação, transmitido pela TV Arapuan, exibiu uma reportagem sobre a prisão de duas pessoas que, segundo a guarda municipal de João Pessoa, responsável pela prisão, estavam realizando golpes pela internet. Entre os entrevistados na matéria estão o Secretário de Segurança Municipal, João Almeida, e uma das guardas municipais que atuou para a detenção dos suspeitos.

No momento da entrevista com o secretário, realizada pela repórter Thaisa Aureliano, são mostradas imagens da Ocupação Popular Terra Livre, que fica na Av. Pedro II, Centro da capital. Segundo o secretário, as pessoas que foram detidas estavam morando nessa ocupação. A imagem do local é exibida várias vezes durante a reportagem, enquanto o secretário fala em “formação de quadrilha”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Duas reportagens e uma reflexão: cobertura de um lado só?

Descrição para cegos: foto de uma sala de aula vazia, com carteiras arrumadas e mesa para ministrante. 

Por Joana Belarmino (observadora credenciada)

Assisto todos os dias aos principais telejornais da TV Cabo Branco e constato uma situação generalizada na cobertura. Sindicatos e outros movimentos sociais literalmente desapareceram da produção dos conteúdos veiculados, verificando-se uma parcialidade que chega a afrontar o saber/fazer cotidiano desse campo profissional.

Os dois exemplos mais recentes trataram da volta às aulas na UFPB e da greve dos professores do município de Campina Grande. A primeira cobertura deu-se no JPB segunda edição, da última terça-feira.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Ricardo Coutinho barrado na Arapuan: samba de uma nota só

Descrição para cegos: foto mostra Ricardo Coutinho e o jornalista Isaías Nóbrega, de máscaras, conversando, em pé, num espaço do qual estão separados da câmera por um vidro, onde se vê o logotipo da Arapuan FM.

por Rubens Nóbrega (Observador Credenciado)

Em vídeo de larga circulação e ampla repercussão em mídias e redes sociais divulgado nessa sexta-feira (11), o ex-governador Ricardo Coutinho denunciou ter sofrido veto a uma entrevista que daria ontem por volta das 11h à rádio Arapuan FM de Patos. Ele atribuiu o veto ao empresário João Gregório, concessionário da emissora, e ao jornalista Luiz Torres, ex-secretário de Comunicação do governo Ricardo Coutinho, apresentador do programa Frente a Frente da TV Arapuan, de João Pessoa.

O vídeo foi publicado inicialmente pelo próprio Ricardo Coutinho, em seu perfil no Instagram, com a seguinte informação: “Pois bem companheiros, compartilho com vocês a censura que sofri hoje por parte de um veículo de comunicação. Vale lembrar que tratar-se (sic) de uma concessão pública. ✊⭐”. Até o meio da tarde de ontem, às 15h10, a postagem contava 1.233 curtidas e 249 comentários, a quase totalidade em apoio ao ex-governador e de repúdio à pretensa censura que ele teria sofrido na Arapuan de Patos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

PESQUISA (III)

G1PB lidera acessos entre profissionais da comunicação

Descrição para cegos: gráfico em forma de pizza fatiada mostra a preferência dos profissionais de comunicação da Paraíba no acesso à internet. A maior fatia (66.3%) é pelos portais. Os sites têm 23,5% dos acessos e os blogs, 10,2%.

Quase dois terços dos jornalistas, radialistas, publicitários e outros que atuam em comunicação na Paraíba usam Internet mais pela manhã, quando a maioria absoluta (73,7%) desse público acessa portais como o G1PB, MaisPB e o Wscom, de João Pessoa, segundo pesquisa do Observatório Paraibano de Jornalismo (OPJor) divulgada nesta terça-feira (7).

Das 100 pessoas que responderam ao questionário disponível neste blog desde 22 de novembro de 2021 e enviado um mês depois a veículos de todo o Estado, 61 (61,6%) preferem visitar ou visitam a web pela manhã. O segundo horário mais acessado é o noturno (22,2%). A tarde ficou com 14,1% das preferências e a madrugada, com apenas 2%.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Os detratores

Descrição para cegos: foto de uma máscara das usadas para prevenir contaminação por covid, sobre o teclado de um notebook.

Por Rubens Nóbrega (observador credenciado)

Ano passado, li em rede social e ouvi no rádio os professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) serem chamados de ‘vagabundos’ porque não dariam aulas presenciais na pandemia. Teve reprise nessa quinta-feira (3): os mesmos ‘vagabundos’ estariam usando a nova escalada da Covid como desculpa para não voltarem à sala de aula.

Curiosamente ou nem tanto, a infâmia partiu em 2020 de um professor aposentado da área de Comunicação; no rádio, de dois jornalistas ativos em programas da linha ‘popular’, ambos formados em Comunicação por universidades públicas, entre as quais a própria UFPB. Dessa vez, eles não cometeram ataque explícito. Usaram o deboche que os seus ouvintes devem assimilar como ‘humor’.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Violência e cobertura midiática: um caso para reflexão na TV de João Pessoa

Por Joana Belarmino (observadora credenciada)


Descrição para cegos: captura de tela do Bom Dia Paraíba de hoje. Mostra o carro incendiado com a pintura descascada pela ação do fogo, em uma área descampada, próximo a algumas árvores. À sombra destas, veem-se algumas pessoas e outros carros. Na parte inferior da imagem, aparecem a marca Bom Dia Paraíba (um sol nascendo e as letras PB), a hora da transmissão (6:58) e as legendas: “Violência na Capital” e “Dois corpos foram encontrados ao lado de carro incendiado”. No canto inferior direito, lê-se “Ao Vivo” sobre as marcas das TVs Cabo Branco e Paraíba.

Tenho assistido regularmente aos telejornais da TV Cabo Branco, sobretudo o Bom Dia Paraíba e o JPB 1ª edição. A cobertura, no geral, adota o jornalismo informativo, enquanto as críticas e reclamações são delegadas à audiência, que envia seus comentários via aplicativos de rede social, os quais são lidos na bancada dos telejornais.

Nada tenho contra o jornalismo informativo e o de serviços. Os gêneros são fundamentais para manter a sociedade informada. Falta, porém, nos telejornais assistidos, análise, argumentação, trabalho de compreender e apresentar a realidade das coberturas para além dos fatos do dia a dia, o que encaminha a audiência para uma espécie de banalização e “naturalização” dos acontecimentos.