terça-feira, 5 de abril de 2022

A infância padece e, sem rede, o jornalismo mergulha de cabeça

Descrição para cegos: imagem mostra a marca do programa Tambaú da Gente Manhã semicoberta por uma grade que está levantada na parte inferior direita. A marca do programa compreende dois retângulos de formas arredondadas sobrepostos, mas não simétricos. No primeiro está escrito “Tambaú da Gente” e, no segundo, “Manhã”. Desse conjunto sai um sol estilizado, como surgindo atrás de nuvens.
Por Carmélio Reynaldo (observador credenciado)

São tantas ocorrências de violência contra crianças que este blog já pode ser confundido com um fórum de defesa da infância – o que não deixa de ser verdade. E vamos para mais um caso, que foi a reportagem da TV Tambaú na manhã da segunda-feira, de uma criança de dois anos que caiu de janela do quarto andar de um prédio em Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa.

Três perguntas que editorias devem fazer quando se trata de caso envolvendo crianças e adolescentes: qual a relevância de divulgar essa história? Se não for veiculada, nosso público estará menos informado? Em que contribui sua publicização?

Como as perguntas não foram feitas, o desastre aconteceu e a telejornal ultrapassou os limites da prudência a ponto questionar o zelo da mãe por não usar tela ou grade de proteção nas janelas do apartamento.

domingo, 3 de abril de 2022

A tragédia como notícia e

desfiguração da realidade

Descrição para cegos: foto de uma boneca abandonada sobre folhas e galhos secos. 

Por Joana Belarmino (observadora associada)

Enquanto faço leituras de preparação das minhas aulas da semana, repercute em mim a tragédia que tomou conta do noticiário televisivo paraibano: o suposto assassinato de uma criança de um ano e três meses, provavelmente pela mãe, através de mais um cruel episódio de violência doméstica.

Tento refletir sobre o caso, e mais particularmente sobre a sua cobertura, no âmago mesmo da profissão jornalística. A formação dos profissionais de jornalismo esteve e ainda vive atravessada por dicotomias importantes: teoria versus prática; formação universitária versus dom e vocação; jornalismo informativo versus jornalismo sensacionalista; notícia informativa versus sensacionalismo são algumas dessas dicotomias presentes na história da profissão.

Na atualidade, é certo que há um predomínio do jornalismo informativo e de serviços, e, ao lado deste, um gosto pelo sensacionalismo em muitos veículos de mídia. Mas o que isso tem a ver com o acontecimento trágico da semana? O jornalismo errou na sua cobertura?

terça-feira, 22 de março de 2022

O que imprensa não conta sobre os preços dos combustíveis?

Descrição para cegos: foto de detalhe do painel de um veículo. Mostra o ponteiro do marcador do nível de combustível assinalando que o tanque está quase vazio. Um pouco abaixo, aparece aceso o ícone de uma bomba de gasolina, aviso de que o carro precisa ser abastecido.

Por Carmélio Reynaldo (observador credenciado)

No dia 11 deste mês, gasolina, diesel e gás de cozinha tiveram um aumento nos preços, e nos postos de abastecimento enormes filas se formaram. Um cenário que ficara apenas na lembrança de quem viveu as décadas de 1970 (crise mundial do petróleo) e 1980 (hiperinflação pós ditadura). O assunto, desde então, tem ocupado o noticiário, mas o jornalismo cartelizado que controla a opinião pública aponta para o lado errado, anuviando as responsabilidades, pois, se não faz isso, quebra um dos seus pilares básicos, que é o forte vínculo com o sistema financeiro. 

Culpa a guerra na Ucrânia, a alta no preço do petróleo, a defasagem do real em relação ao dólar e até a retenção, por algumas semanas, de reajustes que a Petrobras deveria ter aplicado para seguir os preços internacionais. Não diz que essa disparada de preços com potencial de jogar o país em uma crise econômica igual às do final do século passado é consequência do desmonte da Petrobras acelerado a partir de 2016, tirando-lhe, inclusive, o papel que cabe a uma empresa estatal, de realizar políticas de Estado.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Jornalismo e infância: uma pauta esquecida na mídia paraibana 

Descrição para cegos: página do suplemento Correio Criança ilustrada com fotos de várias meninas, algumas mulheres e do planeta Terra. Tem como título “Repórter Teen – A Hora do Planeta”. 

Por Joana Belarmino (observadora credenciada)

Escrevo esse post ainda impactada pelas primeiras imagens divulgadas sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. Na Globo News, as imagens e cenas são repetidas até à exaustão. Uma das preferidas dos âncoras da TV traz uma criança pequena chorando alto, numa suposta invasão a um hospital ucraniano. Lembro-me imediatamente do instigante livro da jornalista americana Susan Sountag, Diante da Dor do Outro.

Sim. Nas coberturas desses acontecimentos de guerra, o sensacionalismo toma conta da imprensa ocidental. A audiência é bombardeada com imagens de horror e sofrimento, e nem as crianças são poupadas. O banquete é tenebroso e pede reflexão. Mas, não falarei sobre o tema hoje. Quero dialogar aqui, sobre o último programa do OPJor, que trouxe a pauta da infância no jornalismo para o debate.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A mídia paraibana e as pessoas “matáveis”

Descrição para cegos: foto de jovem negro com a mão espalmada encobrindo o rosto. O gesto pode ser interpretado como sinal de pare.

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

Mais um jovem periférico foi assassinado em João Pessoa. A mídia paraibana cumpriria um papel essencial no esclarecimento destes crimes, no entanto, prefere repercutir apenas a fala oficial: que os assassinatos aconteceram por causa do tráfico ou porque o jovem era usuário de drogas, sem fazer nenhuma reflexão sobre esses acontecimentos.

Não sei vocês, mas me entristece muito saber que, quase todos os dias, um jovem é morto na Paraíba. Jovens pretos e pobres, é bom que se diga.

Na sexta passada, 18, mais uma violência contra a juventude foi noticiada por programas de TV em João Pessoa. O rapaz tinha apenas 17 anos e foi espancado até morrer. Imediatamente, me remete ao congolês Moise Mugenyi, que também foi espancado até a morte no Rio de Janeiro, e tinha apenas 24 anos.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Policialesco reforça preconceito

contra ocupações populares

Descrição para cegos: foto de uma parede onde se lê a pichação: “Você tem onde morar? Eu não”. Ao lado da pichação, veem-se bolsas penduradas em um prego. (foto de Fernanda Morena).

Por Mabel Dias (observadora credenciada)

No último sábado, 12 de fevereiro, o programa policialesco Cidade em Ação, transmitido pela TV Arapuan, exibiu uma reportagem sobre a prisão de duas pessoas que, segundo a guarda municipal de João Pessoa, responsável pela prisão, estavam realizando golpes pela internet. Entre os entrevistados na matéria estão o Secretário de Segurança Municipal, João Almeida, e uma das guardas municipais que atuou para a detenção dos suspeitos.

No momento da entrevista com o secretário, realizada pela repórter Thaisa Aureliano, são mostradas imagens da Ocupação Popular Terra Livre, que fica na Av. Pedro II, Centro da capital. Segundo o secretário, as pessoas que foram detidas estavam morando nessa ocupação. A imagem do local é exibida várias vezes durante a reportagem, enquanto o secretário fala em “formação de quadrilha”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Duas reportagens e uma reflexão: cobertura de um lado só?

Descrição para cegos: foto de uma sala de aula vazia, com carteiras arrumadas e mesa para ministrante. 

Por Joana Belarmino (observadora credenciada)

Assisto todos os dias aos principais telejornais da TV Cabo Branco e constato uma situação generalizada na cobertura. Sindicatos e outros movimentos sociais literalmente desapareceram da produção dos conteúdos veiculados, verificando-se uma parcialidade que chega a afrontar o saber/fazer cotidiano desse campo profissional.

Os dois exemplos mais recentes trataram da volta às aulas na UFPB e da greve dos professores do município de Campina Grande. A primeira cobertura deu-se no JPB segunda edição, da última terça-feira.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Ricardo Coutinho barrado na Arapuan: samba de uma nota só

Descrição para cegos: foto mostra Ricardo Coutinho e o jornalista Isaías Nóbrega, de máscaras, conversando, em pé, num espaço do qual estão separados da câmera por um vidro, onde se vê o logotipo da Arapuan FM.

por Rubens Nóbrega (Observador Credenciado)

Em vídeo de larga circulação e ampla repercussão em mídias e redes sociais divulgado nessa sexta-feira (11), o ex-governador Ricardo Coutinho denunciou ter sofrido veto a uma entrevista que daria ontem por volta das 11h à rádio Arapuan FM de Patos. Ele atribuiu o veto ao empresário João Gregório, concessionário da emissora, e ao jornalista Luiz Torres, ex-secretário de Comunicação do governo Ricardo Coutinho, apresentador do programa Frente a Frente da TV Arapuan, de João Pessoa.

O vídeo foi publicado inicialmente pelo próprio Ricardo Coutinho, em seu perfil no Instagram, com a seguinte informação: “Pois bem companheiros, compartilho com vocês a censura que sofri hoje por parte de um veículo de comunicação. Vale lembrar que tratar-se (sic) de uma concessão pública. ✊⭐”. Até o meio da tarde de ontem, às 15h10, a postagem contava 1.233 curtidas e 249 comentários, a quase totalidade em apoio ao ex-governador e de repúdio à pretensa censura que ele teria sofrido na Arapuan de Patos.