O inquietante silêncio da mídia sobre o vertiginoso ataque à ciência brasileira
por Joana Belarmino (observadora credenciada)
Iniciado o período pandêmico, em março de 2020, as universidades brasileiras foram forçadas a migrar para o trabalho em home office, uma solução necessária, mas que envolveu dificuldades, constrangimentos e, sobretudo, extrema vulnerabilidade à segurança e à integridade moral de docentes e discentes.
Os ataques às universidades e mesmo à ciência brasileira já haviam sido deflagrados a partir do início do governo Jair Bolsonaro. Vale aqui um breve inventário desse processo catastrófico: - classificação do trabalho universitário como “balbúrdia”, feita pelo primeiro ministro a ocupar a pasta da Educação; - bloqueio dos orçamentos universitários, pondo em risco ações de custeio, pesquisas científicas e pagamento de bolsas em todas as instituições de ensino superior da esfera federal do país; - o não reconhecimento dos resultados eleitorais para reitores, promovendo a ocupação dos cargos por interventores em várias universidades, a exemplo da UFPB; - imposição de censura à cátedra universitária, com medidas abusivas como a de solicitar aos estudantes a gravação de críticas dos docentes à atual conjuntura.